{"id":316,"date":"2015-06-12T00:04:52","date_gmt":"2015-06-12T03:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.danielmendonca.com.br\/?p=316"},"modified":"2015-06-12T00:06:42","modified_gmt":"2015-06-12T03:06:42","slug":"a-mente-zen-voltada-ao-aperfeicoamento-da-postura-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/?p=316","title":{"rendered":"A Mente Zen Voltada ao Aperfei\u00e7oamento da Conduta Profissional"},"content":{"rendered":"<p>L\u00e1 se v\u00e3o duas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 an\u00e1lise dos modelos de gest\u00e3o e de relacionamentos profissionais nas grandes empresas japonesas, e, paralelamente, do estudo, reflex\u00e3o e do exerc\u00edcio di\u00e1rio de seguir as orienta\u00e7\u00f5es milenares do bushid\u00f4, xinto\u00edsmo, confucionismo e do zen budismo. S\u00e3o muitas coisas a serem compartilhadas; outras que s\u00f3 podem ser compreendidas em sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. No caso, por v\u00e1rias vezes me peguei idealizando um e outro artigo, conciliando t\u00edpicas quest\u00f5es empresariais e o padr\u00e3o oriental de planejamento, de organiza\u00e7\u00e3o, de controle e de conduta, mas confesso que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha evitado assim proceder, limitando essa abordagem apenas ao meu dia-a-dia nas empresas para as quais presto servi\u00e7o de consultoria.<\/p>\n<p>Abrindo uma exce\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo pelo fato de esta exce\u00e7\u00e3o se tratar de uma abordagem tranquila, sem nos tirar tanto da nossa \u201czona habitual de conforto\u201d, resolvi escrever este artigo especificamente voltado \u00e0 enumera\u00e7\u00e3o de melhores pr\u00e1ticas de conduta profissional, as quais tendem a nos colocar num patamar de elevada maturidade, e, com certeza, de maior sucesso profissional, e, n\u00e3o por acaso, influenciando nosso poder de empregabilidade.<\/p>\n<p>Neste artigo, iremos tratar de orienta\u00e7\u00f5es que podem ser seguidas por qualquer tipo de profissional, aproximando-o do modelo de comportamento tipicamente japon\u00eas \u2013 digamos, assim, modelo de comprometimento \u2013, se n\u00e3o do japon\u00eas moderno, mas daquele que ainda \u00e9 mantido em nossa mente como sendo uma \u00f3tima refer\u00eancia de conduta, traduzida em produtividade e busca pela melhoria cont\u00ednua de qualquer tarefa que nos dispusermos a executar.<\/p>\n<p>Em se tratando de um artigo, n\u00e3o h\u00e1 pretens\u00e3o de se esgotar o assunto, mas sim de motivar os leitores ao aprofundamento da abordagem que aqui trataremos. Vamos l\u00e1, ent\u00e3o:<\/p>\n<p><strong><strong>Qual o emprego certo que cada um deve buscar?<\/strong><\/strong> H\u00e1 um pensamento equivocado no mundo ocidental de que devemos buscar trabalharmos naquilo que gostamos. Se eu disser que este pensamento est\u00e1 errado, acredito que quase ningu\u00e9m ir\u00e1 concordar comigo. Tranquilo, ent\u00e3o. N\u00e3o direi que este pensamento est\u00e1 errado. Mas posso afirmar que ele n\u00e3o \u00e9 um pensamento correto tamb\u00e9m. O ideal \u2013 e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim atingir este ideal \u2013 \u00e9 que voc\u00ea desenvolva o seu trabalho de um modo que consiga ter satisfa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dele, ou seja, n\u00e3o limitar alguns tipos de emprego pelos quais voc\u00ea possui apre\u00e7o, mas ser capaz de possuir qualquer tipo de emprego e mold\u00e1-lo de tal forma obter satisfa\u00e7\u00e3o profissional. O segredo por tr\u00e1s disso chama-se \u201cobjetivo\u201d. Voc\u00ea tendo muito claramente um ou mais objetivos em meio ao trabalho que realiza, voc\u00ea estar\u00e1 mais focado nos resultados, n\u00e3o nos meios (tarefas) que precisa seguir (executar). Tentarei explicar de outra maneira:<\/p>\n<p>Um grande mito da sociedade moderna e mais incisivamente do mundo oriental \u00e9 o de \u201cfazer o que gosta para se sentir motivado\u201d. Na verdade, a motiva\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem mais relacionada ao fato de a pessoa ter objetivos na vida, do que simplesmente fazer o que gosta. Geralmente, pessoas muito acomodadas e\/ou que possuem medo de desafios s\u00f3 querem fazer o que lhes tragam uma satisfa\u00e7\u00e3o imediata. J\u00e1 as pessoas realmente felizes procuram um prop\u00f3sito na vida e s\u00e3o capazes de realizar atividades desagrad\u00e1veis, sem se angustiarem. Frente a essas pessoas verdadeiramente positivas, chegamos a afirmar: \u201cnossa, elas gostam mesmo do que fazem, n\u00e3o \u00e9?\u201d, quando, na verdade, est\u00e3o imersas em atividades que, no fundo, poderiam escolher n\u00e3o realizar&#8230; Mas nem ficam pensando nisso. Como desculpa, as pessoas do prazer imediato acham que as pessoas de prop\u00f3sito querem chegar ao mesmo tipo de prazer; por este motivo, costumam usar o discurso \u201cvou aproveitar hoje, pois n\u00e3o sei o dia de amanh\u00e3\u201d. As pessoas de prop\u00f3sito j\u00e1 est\u00e3o aproveitando o dia de hoje, a medida que seus objetivos v\u00e3o se concretizando, objetivos que n\u00e3o tem nada a ver com os interesses das pessoas do prazer imediato. E, s\u00f3 para deixar claro, n\u00e3o s\u00e3o objetivos como \u201caposentar bem\u201d, \u201cjuntar uma boa grana\u201d, etc. Trata-se de coisas maiores, como \u201csempre fazer algo \u00fatil\u201d, \u201cinfluenciar positivamente as pessoas\u201d, \u201cgarantir que a fam\u00edlia esteja sempre bem\u201d, etc. \u00c9 uma quest\u00e3o de foco nas coisas que importam, independentemente das atividades que tivermos que realizar.<\/p>\n<p>Uma coisa muito importante ao escolher um emprego \u00e9: n\u00e3o fazer mal ao pr\u00f3ximo e ser \u00fatil a sua comunidade e\/ou a sociedade.<\/p>\n<p><strong><strong>Qual o modelo ideal de profissional no que se refere \u00e0 sua disciplina na empresa?<\/strong><\/strong> Essa quest\u00e3o \u00e9 de mexer com o nosso \u00edntimo, principalmente n\u00f3s brasileiros, t\u00e3o habituados ao tratamento paternalista dado aos funcion\u00e1rios por meio da nossa legisla\u00e7\u00e3o t\u00e3o defasada e fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>De acordo com o estilo de vida milenar oriental, um profissional ideal ao seu empregador procura seguir o seguinte comportamento:<\/p>\n<ul>\n<li>Come\u00e7ar a trabalhar antes do seu chefe;<\/li>\n<li>Parar de trabalhar depois do seu chefe;<\/li>\n<li>Jamais pegar ou aceitar algo que v\u00e1 al\u00e9m do seu acordo de trabalho, mesmo que seja oferecido pelo seu pr\u00f3prio chefe. Vale coment\u00e1rio: objetivo aqui \u00e9 seguir o que \u00e9 certo, n\u00e3o nos deixando levar pelas facilidades que os outros nos oferecem; no caso, \u00e9 obedecer ao equil\u00edbrio natural das coisas, que o mundo nos reserva. Esfor\u00e7ando-nos para mantermos o equil\u00edbrio em torno de n\u00f3s, influenciamos positivamente para que o restante do mundo tamb\u00e9m viva assim;<\/li>\n<li>Esfor\u00e7ar-se continuamente para realizar cada vez melhor suas tarefas;<\/li>\n<li>Representar da melhor maneira poss\u00edvel o nome da empresa para a qual trabalha. Isto inclui jamais comentar coisas negativas de sua empresa e dos seus empregadores. E, vale o pensamento: se n\u00e3o somos capazes de proceder assim na empresa para a qual trabalhamos, por que motivo continuarmos a trabalhar para ela ent\u00e3o? A quem estamos enganando, afinal?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><strong>Uma orienta\u00e7\u00e3o bem interessante: \u00c9 preciso mantermos mente de principiante. <\/strong><\/strong>E o que seria isto? Na pr\u00e1tica, \u00e9 mais do que estarmos dispostos a aprender. Acho que esta \u00e9 a frase que os leitores esperariam como resposta: \u201csempre dispostos a aprender\u201d&#8230; Mas \u00e9 mais do que isto, mesmo. No caso, tratamos como um risco aquele profissional que se julga plenamente conhecedor de suas t\u00e9cnicas de trabalho. Esses profissionais podem ser humildes perante conhecimentos ainda n\u00e3o obtidos em outras \u00e1reas, mas podem se postar como arrogantes naquilo que estudaram e exercitaram por d\u00e9cadas. Neste caso, j\u00e1 n\u00e3o se abrem mais para a reciclagem de conhecimento e para reverem seus conceitos. Da\u00ed \u00e9 que os erros operacionais em nossas empresas podem ocorrer sob uma amplitude mais alarmante (quando ocorrem nos n\u00edveis mais b\u00e1sicos, nas m\u00e3os dos principiantes de fato, os grandes especialistas s\u00e3o capazes de resolver; mas se esses erros ocorrem onde esses grandes especialistas se encontram?). O ideal \u00e9 vivermos uma vida sob a qual estejamos testando continuamente nossas cren\u00e7as, nossos valores, nossos m\u00e9todos, nossos conhecimentos em geral, etc. Al\u00e9m de este pensamento ajudar o aprimoramento t\u00e9cnico, nos ajuda a desenvolver uma mente mais emp\u00e1tica, mais aberta a outras interpreta\u00e7\u00f5es, facilitando nossos relacionamentos pessoais e profissionais.<\/p>\n<p><strong><strong>Como estabelecermos as prioridades em nosso dia-a-dia profissional?<\/strong><\/strong> Primeiramente, fa\u00e7amos uma analogia: existe uma dica para aqueles que vivem em depress\u00e3o, qual seja, a de ajudar o maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas; sua depress\u00e3o naturalmente perder\u00e1 o sentido. Voltando, ent\u00e3o, para nossa habitual dificuldade de gerenciarmos nosso tempo e nossas prioridades, a sugest\u00e3o \u00e9: ajude os outros a se organizarem e voc\u00ea encontrar\u00e1 as respostas para a sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o. Mas, para n\u00e3o deixarmos de falar de maneira pr\u00e1tica, h\u00e1 t\u00e9cnicas simples, como: identificar o que \u00e9 urgente e o que \u00e9 importante e fazer primeiramente o que \u00e9 urgente e importante; depois, fazer as coisas importantes, mas n\u00e3o urgentes; por fim, sobrando tempo, realizar as demais atividades restantes.<\/p>\n<p>Ainda falando sobre prioridades, precisamos falar sobre a procrastina\u00e7\u00e3o e o seu poder de nos seduzir: qualquer um de n\u00f3s, se dermos margem para \u201cmatarmos o tempo sem fazer algo \u00fatil\u201d, logo nossa mente come\u00e7ar\u00e1 a se habituar a isso, levando-nos a um ritmo menor de produtividade, afetando nossa evolu\u00e7\u00e3o profissional, dentre outras coisas. E, ali\u00e1s, ao falarmos em \u201coutras coisas\u201d, considere o fato de influenciarmos negativamente o comportamento daquelas pessoas que, eventual ou rotineiramente, est\u00e3o reparando e\/ou se espelhando em nossa conduta. Imagine, ent\u00e3o, o estrago que podemos fazer ao procrastinarmos.<\/p>\n<p>Desta abordagem sobre procrastina\u00e7\u00e3o, podemos estender para um dos grandes bloqueadores da nossa produtividade atualmente: a navega\u00e7\u00e3o web.<\/p>\n<p><strong><strong>Como podemos evitar a perda de tempo com a navega\u00e7\u00e3o na internet?<\/strong><\/strong> Primeiramente, \u00e9 necess\u00e1rio criarmos uma regra simples: excluirmos qualquer tipo de atividade pessoal no ambiente de trabalho. Al\u00e9m disso, podemos \u2013 ou melhor, devemos \u2013 estabelecer um limite de tempo di\u00e1rio para entrarmos nas redes sociais, p\u00e1ginas de not\u00edcias, etc., e sermos obedientes a este limite. Sugest\u00e3o: que este limite de tempo seja de apenas uma hora por dia. Muitos achar\u00e3o que uma hora por dia \u00e9 muito pouco, mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o precisamos mais do que isto. As desculpas s\u00e3o in\u00fameras e uma delas, aparentemente forte, \u00e9: pela internet, podemos nos manter mais atualizados com o que ocorre no mundo inteiro. Mas posso afirmar por experi\u00eancia e comprova\u00e7\u00e3o: n\u00e3o precisamos tanto assim das informa\u00e7\u00f5es sobre o que ocorre no mundo inteiro. Uma das experi\u00eancias que realizei \u2013 e mantenho \u2013 \u00e9, por exemplo, a de n\u00e3o assistir televis\u00e3o. Como sou bastante participativo em discuss\u00f5es voltadas ao cen\u00e1rio da Pol\u00edtica e Macroeconomia, pude perceber que as pessoas que assistem televis\u00e3o e est\u00e3o plugadas na internet por no m\u00ednimo quatro horas por dia perdem feio em discuss\u00f5es tem\u00e1ticas comigo \u2013 abro espa\u00e7o para pedir desculpas pela aparente arrog\u00e2ncia \u2013 e isto n\u00e3o tem nada a ver com intelig\u00eancia e sabedoria. O Motivo \u00e9 apenas um: o que eu estudei, e, ali\u00e1s, que \u00e9 aceito cientificamente, vai permanecendo em minha mente de forma isenta das opini\u00f5es e posicionamentos tendenciosos e formatados pela m\u00eddia. Mais do que isto: por conta deste distanciamento com os canais de comunica\u00e7\u00e3o que aqui critico, minha mentalidade \u00e9 a de algu\u00e9m que enxerga as coisas de maneira bem mais imparcial, ao comparar com o padr\u00e3o que hoje vemos na popula\u00e7\u00e3o mundial. Cada nova informa\u00e7\u00e3o \u00e9 absorvida de maneira imediata como verdade. Voc\u00ea acha que n\u00e3o \u00e9 assim? Ent\u00e3o, uma pergunta simples: por que motivo, nos debates entre candidatos a algum cargo pol\u00edtico \u2013 por exemplo, \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013, n\u00e3o s\u00e3o introduzidos jurados especialistas em diferentes assuntos de interesse da sociedade, para efetivamente criticarem de maneira imparcial \u2013 cientificamente \u2013 cada posicionamento que \u00e9 apresentado pelos candidatos? Por que a m\u00eddia, em vez de se preocupar com a forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, insiste em fazer apenas espet\u00e1culos?<\/p>\n<p>Mas, voltando \u00e0 linha de pensamento sobre a gest\u00e3o do tempo frente ao uso da internet, todos n\u00f3s podemos substituir o h\u00e1bito da navega\u00e7\u00e3o virtual por atividades que continuam \u2013 e continuar\u00e3o \u2013 pr\u00f3ximas de n\u00f3s de maneira f\u00edsica. Sempre tivemos obriga\u00e7\u00f5es a fazer a um palmo de n\u00f3s; a internet n\u00e3o eliminou essas obriga\u00e7\u00f5es. Elas continuam por l\u00e1; simplesmente, nossa mente as bloqueou do nosso campo de vis\u00e3o. Precisamos voltar a abrir livros, a conversar mais com as pessoas, a nos dedicarmos \u00e0s atividades de apoio social, aos esportes, \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 religi\u00e3o, etc. A internet \u00e9 uma \u00f3tima ferramenta, mas n\u00e3o estamos t\u00e3o preparados para ela o quanto pensamos.<\/p>\n<p><strong><strong>E aquelas fofocas e conversas de corredor no ambiente de trabalho?<\/strong><\/strong> No budismo, h\u00e1 o conceito da fala correta, em meio ao caminho \u00f3ctuplo da busca pelo equil\u00edbrio. Adaptando para o nosso dia-a-dia nas empresas, podemos dizer que a fala correta est\u00e1 relacionada a: n\u00e3o contar mentiras ou exagerar informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o emitir opini\u00f5es que possam criar atrito ou divis\u00e3o entre as pessoas, e, n\u00e3o menos importante, de conversar sobre coisas que n\u00e3o geram produtividade na empresa. Inclusive, um grande amigo costumava dizer: \u201cse o que voc\u00ea for falar n\u00e3o for realmente \u00fatil, \u00e9 melhor ficar calado\u201d. Parece meio exagerado, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas s\u00f3 \u00e9 exagerado quando vemos este posicionamento com os olhos da nossa atual cultura e valores sociais. Mas pensemos melhor: o que \u00e9 exagerado? Calarmos quando n\u00e3o tivermos nada \u00fatil para falar, ou&#8230;vejamos&#8230;calarmos quando podemos contribuir com a nossa fala, e, no outro extremo, falarmos quando n\u00e3o temos mais nada de bom para contribuir? Na verdade, aquilo que nos parece exagerado pode ser, na pr\u00e1tica, o equil\u00edbrio que dever\u00edamos exercitar.<\/p>\n<p><strong><strong>E sobre as companhias no ambiente de trabalho?<\/strong><\/strong> Da\u00ed, eu prefiro replicar uma cita\u00e7\u00e3o extra\u00edda e adaptada de Samyutta Nikaya, que resume muito bem a quest\u00e3o: \u201cTer a amizade, a companhia e o coleguismo de pessoas admir\u00e1veis \u00e9, na verdade, o todo de uma vida nobre. Aquele que tem os bons e os virtuosos como amigos, companheiros e colegas, possivelmente ir\u00e1 se manter no caminho do equil\u00edbrio espiritual\u201d. Enfim, cerque-se de pessoas do bem&#8230;\u00e9 um pedido especial que eu aproveito para fazer a voc\u00ea atrav\u00e9s deste artigo. Por favor.<\/p>\n<p><strong><strong>Como podemos manter o equil\u00edbrio entre trabalho e vida pessoal?<\/strong><\/strong> No caso, precisamos ser conscientes da interdepend\u00eancia que existe entre v\u00e1rios cen\u00e1rios que, sob nossa vis\u00e3o m\u00edope, parecem conflitarem-se: vida comunit\u00e1ria e individualidade; lazer e obriga\u00e7\u00e3o; trabalho e fam\u00edlia. \u00c9 preciso refletirmos melhor sobre a dial\u00e9tica que temo nos corro\u00eddo dia-ap\u00f3s-dia, e, se preciso, buscarmos o entendimento correto atrav\u00e9s do exerc\u00edcio da medita\u00e7\u00e3o, em isolamento, sem influ\u00eancias. S\u00f3 para adiantar o que est\u00e1 por vir atrav\u00e9s deste tipo de exerc\u00edcio, afirmo: \u00e9 tudo uma coisa s\u00f3. A pessoa que insiste em cuidar apenas de um lado, possivelmente ter\u00e1 preju\u00edzos do outro lado, e, quando isto ocorrer, este preju\u00edzo transbordar\u00e1 para aquele que ela estava cuidando. \u00c9 algo proveniente da lei da causa-e-efeito que nos cerca e para a qual contribu\u00edmos a cada respira\u00e7\u00e3o. Mas ent\u00e3o: a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 para que busque o equil\u00edbrio em todas as \u00e1reas da vida, mesmo quando isto exigir abdicar de algo em uma \u00e1rea, s\u00f3 para manter um n\u00edvel m\u00ednimo adequado em outra \u00e1rea. Exemplo: uma pessoa pode pensar em dobrar seu faturamento junto aos clientes, mas para isto precisa reduzir sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia apenas aos finais de semana, necessitando trabalhar \u00e0s noites, durante a semana. Parece tentador para alguns, n\u00e3o? Mas esses \u201calguns\u201d \u2013 dos quais talvez voc\u00ea fa\u00e7a parte \u2013 possuem dificuldades de avaliar preju\u00edzos ao comparar coisas tang\u00edveis, com coisas intang\u00edveis, subjetivas. \u00c9 por conta disso que se aventuram a explorar cada vez uma \u00e1rea, em detrimento de outras.<\/p>\n<p><strong><strong>\u00c9 melhor ser uma pessoa (e profissional) honrada e com poucas posses, ou uma pessoa aproveitadora e rica?<\/strong><\/strong> Imagino que praticamente cem porcento de quem se depara com esta quest\u00e3o tende a responder \u201cuma pessoa honrada\u201d, mas no fundo, no fundo, sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim que a mente do ser humano funciona. Ao menos, n\u00e3o para uma boa parcela da popula\u00e7\u00e3o, quando se depara com a \u201coportunidade perfeita\u201d de se conseguir algo f\u00e1cil, sem o devido m\u00e9rito. Mas, vamos l\u00e1: as pessoas querem ao seu lado aqueles que s\u00e3o genuinamente honrados. Ent\u00e3o, este \u00e9 o primeiro motivo que deveria levar voc\u00ea a investir nesta postura: \u00e9 melhor ter uma boa vida social, do que uma rica solid\u00e3o. Em segundo, cito um caso pr\u00e1tico que presenciei: conheci um homem de poucas posses h\u00e1 muitos anos atr\u00e1s, que trabalhava muito, mas que n\u00e3o era muito talentoso. Ele era uma pessoa muito honesta, criou muito bem os seus filhos e era querido por uma gama enorme de pessoas em sua comunidade. Certo dia, ele n\u00e3o acordou. Faleceu dormindo. \u00c0 princ\u00edpio, alguns pensaram: \u201caquele homem trabalhou tanto, e, ao final, n\u00e3o construir nada sustent\u00e1vel para sua fam\u00edlia que tanto dependia dele. Seus filhos ainda est\u00e3o entrando no mercado de trabalho e a esposa nunca trabalhou. O que ser\u00e1 dessa fam\u00edlia?\u201d. Da\u00ed \u00e9 que veio o grande fruto do que fora plantado por d\u00e9cadas por aquele homem: sua comunidade amparou muito bem sua fam\u00edlia, garantindo emprego aos filhos, amizade e carinho a sua vi\u00fava, uma vida equilibrada, social. S\u00f3 quem \u00e9 um verdadeiro pai sabe o quanto vale o suor em prol da tranquilidade da fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong><strong>\u00c9 certo incentivarmos a atua\u00e7\u00e3o multitarefa?<\/strong><\/strong> Conforme os preceitos orientais, n\u00e3o. Diferente do que acreditamos, quando nos dedicamos a v\u00e1rias atividades ao mesmo tempo, a tend\u00eancia \u00e9 a nossa produtividade cair, n\u00e3o aumentar. E o pior: a qualidade cai; esta \u00e9 uma certeza. Ent\u00e3o, quando estivermos fazendo algo, temos que concentrar neste algo, at\u00e9 que consigamos termina-lo. As empresas, os funcion\u00e1rios e os clientes precisam reconhecer este ensinamento.<\/p>\n<p><strong><strong>Como motivarmos as pessoas a contribu\u00edrem para os projetos de mudan\u00e7a em nossas empresas?<\/strong><\/strong> Compartilharei um pensamento que poder\u00e1 nos ajudar a vigiar melhor nossa mente e a entender que cada um, cada colega de trabalho ou pessoa da nossa fam\u00edlia ou do nosso ciclo social, tem o seu pr\u00f3prio tempo para conseguir mudar: somos mais motivados pelo medo da perda do que pela promessa de ganhos. Sentimos que, mesmo que nossa situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o seja perfeita, \u00e9 familiar e previs\u00edvel e isso nos reconforta. O problema est\u00e1 no fato de resistirmos \u00e0s oportunidades em fun\u00e7\u00e3o desse medo, em resistirmos apesar de termos bons motivos para acreditar que a mudan\u00e7a ser\u00e1 para melhor. E quanto mais as pessoas insistem conosco para aceitarmos as mudan\u00e7as, mais resistimos.<\/p>\n<p><strong><strong>Como podemos encarar a perda de um emprego ou a necessidade de mudan\u00e7a em nossa carreira?<\/strong><\/strong> Para n\u00f3s, zen budistas, tudo \u00e9 impermanente, e, portanto, \u00e9 prudente exercitarmos o desapego. Mas essas palavras, \u00e9 claro, n\u00e3o s\u00e3o o suficiente para criar o desprendimento a que me refiro. Portanto, seguem algumas orienta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>N\u00e3o leve a perda de um emprego pelo lado pessoal. Cada pessoa possui em sua mente uma lista de prioridades e tomam decis\u00f5es baseadas nesta lista. O problema \u00e9 que julgamos as decis\u00f5es dos outros com base em nossa lista subconsciente. O fato \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 problema algum em nos figurarmos num n\u00edvel baixo em termos de prioridade para as outras pessoas&#8230; Mas \u00e9 que na mente de cada um infelizmente impera a for\u00e7a-motriz do \u201ceu\u201d.<\/li>\n<li>Cerque-se de amigos e parentes que possam apoi\u00e1-lo e estimul\u00e1-lo nos momentos profissionais dif\u00edceis.<\/li>\n<li>Obtenha recursos espirituais que o ajude a enfrentar a dor de perde o emprego ou de ser obrigado a mudar de profiss\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 muito v\u00e1lido se aproximar mais da natureza, da arte, do esporte, e, principalmente, de si mesmo (pratique a medita\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<li>N\u00e3o mude os seus pensamentos, os seus ideais, a sua \u00edndole e a sua forma de tratar as pessoas por conta deste tipo de perda. Ao contr\u00e1rio, saiba que cada vez que sua mente esteja sofrendo, mais dif\u00edcil \u00e9 raciocinar para encontrar solu\u00e7\u00f5es para os problemas que precisam ser resolvidos. Sua mente precisa estar limpa para ser produtiva. Sendo assim, policie-se quanto a isto.<\/li>\n<li>Precisamos tamb\u00e9m reservar algum tempo para nos conhecermos, para descobrirmos o que nos motiva e o que nos leva a verdadeira felicidade, n\u00e3o uma felicidade superficial baseada em posses, mas sim em princ\u00edpios de vida. Isto \u00e9 o mais importante. Da\u00ed, sim, poderemos concentrar nossos esfor\u00e7os para obtermos um emprego mais aderente aos nossos objetivos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>H\u00e1 muita coisa para abordarmos em torno deste assunto; na verdade, h\u00e1 uma infinidade de coisas para compartilharmos e aprendermos juntos. Mas, ent\u00e3o, para concluirmos este artigo, gostaria de abordar um \u00faltimo ponto altamente relevante para nossa atua\u00e7\u00e3o profissional: <strong><strong>Tentarmos sempre fazer um pouco mais aos outros<\/strong><\/strong>. Sugest\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>De tempos-em-tempos, presentei seus colegas com algo caseiro, como, por exemplo, doces, frutas, uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas gravadas, etc., qualquer coisa que tenha uma identidade contigo.<\/li>\n<li>Sempre esteja disposto a apoiar colegas que precisem de palavras positivas para elevar seu emocional. Ali\u00e1s, policie-se para estar sempre pronunciando coisas positivas.<\/li>\n<li>Seja um profissional atualizado com as quest\u00f5es que interessam \u00e0 empresa para a qual trabalha. Esteja atento \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre novas tecnologias, modelos de gest\u00e3o, estilos da concorr\u00eancia, tend\u00eancias comerciais, etc. Sempre que poss\u00edvel, tente ajudar seus superiores a refletir sobre oportunidades de melhoria.<\/li>\n<li>Tente sempre surpreender cada cliente com alguma coisa a mais. \u00c0s vezes este \u201calgo a mais\u201d pode ser uma breve hist\u00f3ria que voc\u00ea possa compartilhar, um item a mais entre os produtos que o cliente comprar ou mesmo um caf\u00e9 especial.<\/li>\n<li>Esteja sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar al\u00e9m do hor\u00e1rio, quando houver miss\u00f5es importantes a serem resolvidas.<\/li>\n<li>Mostre interesse pela fam\u00edlia dos colegas de trabalho, pois isto \u00e9 refor\u00e7ar o teu respeito a eles como pessoas.<\/li>\n<li>E, caso a tua empresa possua atividades voltadas \u00e0 Responsabilidade Social, n\u00e3o deixe de participar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Concluo dizendo: Fazer algo a mais \u00e9 sempre bom, tanto para a pessoa que recebe, quanto para voc\u00ea mesmo que age como algu\u00e9m sempre disposto a se doar um pouco mais.<\/p>\n<p>Espero que todas as quest\u00f5es aqui abordadas neste artigo venham a ajudar as pessoas a investirem um pouco mais em seus relacionamentos profissionais, gerando, assim, um campo de energia altamente positivo, que acarrete em produtividade, qualidade e equil\u00edbrio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 se v\u00e3o duas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 an\u00e1lise dos modelos de gest\u00e3o e de relacionamentos profissionais nas grandes empresas japonesas, e, paralelamente, do estudo, reflex\u00e3o e do exerc\u00edcio di\u00e1rio de seguir as orienta\u00e7\u00f5es milenares do bushid\u00f4, xinto\u00edsmo, confucionismo e do zen budismo. 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