{"id":325,"date":"2020-07-06T00:04:47","date_gmt":"2020-07-06T03:04:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.danielmendonca.com.br\/?p=325"},"modified":"2020-07-15T20:38:20","modified_gmt":"2020-07-15T23:38:20","slug":"como-planejar-o-lancamento-de-um-produto-ou-servico-em-meio-a-possibilidade-de-canibalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/?p=325","title":{"rendered":"Como Planejar o Lan\u00e7amento de um Produto ou Servi\u00e7o em Meio \u00e0 Possibilidade de Canibaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea j\u00e1 possui um bom produto e resolve lan\u00e7ar um novo produto, bem atrativo ao mercado. Rapidamente, o mercado responde de forma bem positiva, com elevado consumo. Da\u00ed, ent\u00e3o, voc\u00ea percebe que este segundo produto come\u00e7a a canibalizar o primeiro e seus processos operacionais come\u00e7am a se ocupar muito mais com o produto novo, do que com o produto antigo. Tendo sido ou n\u00e3o essa a inten\u00e7\u00e3o \u2013 o de incentivar um novo produto, em detrimento de um produto antigo \u2013, o fato \u00e9 que, no decorrer dos meses, voc\u00ea come\u00e7a a perceber que os seus custos est\u00e3o se elevando de maneira anormal, porque os seus processos estavam mais adaptados ao produto antigo, do que ao produto novo. Voc\u00ea, executivo, j\u00e1 passou por este cen\u00e1rio? Soube resolv\u00ea-lo? Acha-o complicado? Vejamos ent\u00e3o um cen\u00e1rio bem mais dif\u00edcil com o qual eu e outros amigos de carreira passamos e resolvemos h\u00e1 aproximadamente dez anos: todas as vendas da empresa eram feitas sob contrato firmado com os clientes. Ao percebermos que o novo produto vinha canibalizando outros produtos da empresa, nossa vontade imediata era retirar este novo produto de cena. O problema \u00e9 que, devido aos contratos obviamente com validade jur\u00eddica, precisar\u00edamos do aval dos clientes para voltarmos a ofertar a eles qualquer outro produto do nosso portf\u00f3lio, a exce\u00e7\u00e3o daquele prejudicial ao neg\u00f3cio. Se eles optassem por permanecer com o novo produto, n\u00e3o ter\u00edamos muito o que fazer que n\u00e3o gerasse desconforto no relacionamento comercial. E agora, voc\u00ea saberia o que fazer? E um detalhe: n\u00e3o estou falando de alguns poucos clientes, mas, conforme o fato realmente ocorrido, de aproximadamente 15 mil clientes. Desafio interessante, n\u00e3o? Este \u00e9 um estudo de caso que costumo utilizar em treinamentos voltados \u00e0 Gest\u00e3o de Processos, Gest\u00e3o de Riscos e tamb\u00e9m em Estrat\u00e9gias Comerciais.<\/p>\n<p>Antes de eu enumerar algumas das solu\u00e7\u00f5es adotadas, vamos a alguns conceitos importantes:<\/p>\n<p><strong><strong>Canibaliza\u00e7\u00e3o em Marketing:<\/strong><\/strong> refere-se ao lan\u00e7amento de um novo produto pela empresa, afetando o desempenho de um ou mais produtos dessa mesma empresa.<\/p>\n<p>Ao lermos o conceito desta maneira, somos levados a pensar que a canibaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre destrutiva. Isso, no entanto, n\u00e3o \u00e9 verdade. Muitas vezes, as empresas utilizam a canibaliza\u00e7\u00e3o de forma positiva, a fim de motivar a retirada sutil de algum produto do seu portf\u00f3lio, com a\u00e7\u00f5es atrativas do mercado consumidor para o novo produto, em detrimento do produto antigo.<\/p>\n<p>Primeiro destaque importante: tendo em vista o fato de a canibaliza\u00e7\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o com a introdu\u00e7\u00e3o de um novo produto ou a simples eleva\u00e7\u00e3o de desempenho de um produto j\u00e1 existente em rela\u00e7\u00e3o a outro da mesma empresa, a concorr\u00eancia pode sofrer impactos negativos, mas que nada tem a ver com o conceito de canibaliza\u00e7\u00e3o em si, e sim com o fato de um determinado produto estar apresentando crescimento em termos de consumo pelo mercado.<\/p>\n<p>Segundo destaque importante: Canibaliza\u00e7\u00e3o pode existir tanto para produto, quanto para servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Em suma, caso a canibaliza\u00e7\u00e3o venha ocorrer, isso significa que dois ou mais produtos da mesma empresa est\u00e3o disputando o mesmo p\u00fablico, oferecendo benef\u00edcios e caracter\u00edsticas semelhantes.<\/p>\n<p><strong><strong>A canibaliza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, pode ser algo previamente planejado \u2013 ou seja, incentivado \u2013 pela pr\u00f3pria empresa, certo?<\/strong><\/strong> \u00c9 claro que sim. Isto \u00e9 comum em diferentes mercados, principalmente os mercados altamente competitivos, com lan\u00e7amento de novos produtos e servi\u00e7os a todo o momento, como, por exemplo, do mercado de autom\u00f3veis. Alguns motivos que v\u00e3o al\u00e9m da concorr\u00eancia acirrada com lan\u00e7amento constante de novos modelos:<\/p>\n<ul>\n<li>O mercado consumidor \u00e9 desejoso de novos modelos; j\u00e1 se acostumou a isso e tem como tend\u00eancia perder interesse r\u00e1pido pelo produto, exigindo renova\u00e7\u00e3o constante.<\/li>\n<li>Os pr\u00f3prios fabricantes e demais entidades que fazem parte da Cadeia de Valor do Mercado induzem \u00e0 troca dos autom\u00f3veis, atrav\u00e9s da deprecia\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do autom\u00f3vel em termos de valor de venda, da eleva\u00e7\u00e3o dos seus custos de manuten\u00e7\u00e3o, etc.<\/li>\n<li>Evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (fator muito relevante), mudan\u00e7as de legisla\u00e7\u00e3o que acabam por exigir novas condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas aos autom\u00f3veis (fator pouco relevante, mas existente).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Vejamos como uma canibaliza\u00e7\u00e3o aparentemente destrutiva \u00e9, na verdade, uma canibaliza\u00e7\u00e3o construtiva ao neg\u00f3cio, ainda em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de autom\u00f3veis:<\/p>\n<p>Em 2009, a Honda lan\u00e7ou o Honda City, que, no Brasil, chegou a vender aproximadamente 3.200 unidades ao m\u00eas em tal ano, atingindo parte das oportunidades de venda do Honda Civic. Este \u00faltimo havia atingido no ano anterior a m\u00e9dia mensal de 5.500 unidades, e, em 2009, apenas 3.700 unidades mensais; um cen\u00e1rio aparentemente ruim, frente ao fato de a Toyota ter conseguido elevar as vendas mensais do Corolla para 5.500 unidades. Mas vejamos de uma outra forma: se a Honda n\u00e3o tivesse lan\u00e7ado o Honda Civic, provavelmente n\u00e3o teria atingido a m\u00e9dia mensal de 6.900 unidades vendidas (soma entre o City e o Civic) se tivesse mantido apenas o Civic frente ao combate \u00e0 concorr\u00eancia. Ali\u00e1s, pelos estudos feitos pela equipe de Marketing e Estat\u00edstica da Honda, possivelmente o Corolla teria vendido mais do que as 5.500 unidades mensais, versus estabiliza\u00e7\u00e3o das vendas do Civic; por este motivo, a canibaliza\u00e7\u00e3o entre City e Civic se tornou bem justific\u00e1vel.<\/p>\n<p>Uma boa frase: \u00c9 melhor perder no pr\u00f3prio quintal, do que perder para a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><strong>Olha que bacana: existe uma forma de medir a canibaliza\u00e7\u00e3o, para nos ajudar no planejamento do portf\u00f3lio de produtos.<\/strong><\/strong> Vejamos:<\/p>\n<p>\u00c9 chamada de \u201ctaxa de canibaliza\u00e7\u00e3o\u201d a perda que vier a ocorrer em um ou mais produtos do portf\u00f3lio da empresa por conta da introdu\u00e7\u00e3o de um novo produto. Para que um novo produto seja visto como um \u201cproduto bem-sucedido sob cen\u00e1rio de canibaliza\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio que o seu desempenho comercial ultrapasse essa taxa.<\/p>\n<p>Terceiro destaque importante neste artigo: A canibaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 far\u00e1 sentido para uma empresa se a execu\u00e7\u00e3o dessa canibaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o gerar perda de Competitividade e Market Share (parcela que a empresa j\u00e1 estiver dominando do mercado consumidor).<\/p>\n<p>Vejamos instru\u00e7\u00f5es simples para se calcular a taxa de canibaliza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>Primeiramente, a empresa precisa ter em m\u00e3os um bom trabalho estat\u00edstico de previs\u00e3o dos resultados f\u00edsico-financeiros dos seus produtos, com vis\u00e3o de curto, m\u00e9dio e de longo prazo. Sugere-se aplicar m\u00e9todo de an\u00e1lise de resultados comerciais por s\u00e9ries temporais, algo que, infelizmente, tem sido feito de forma muito ruim pelos falsos especialistas em planejamento e controle. Para se fazer boa an\u00e1lise baseada em s\u00e9ries temporais, \u00e9 imprescind\u00edvel estabelecer os \u00edndices corretos de sazonalidade, tend\u00eancia, comportamentos c\u00edclicos e fatores irregulares. Para piorar o cen\u00e1rio em nosso mercado, muitas empresas sequer sabem conceituar estes termos (para maiores informa\u00e7\u00f5es, consulte artigos espec\u00edficos em nosso site: <a href=\"http:\/\/www.danielmendonca.com.br\/\"><span style=\"text-decoration: underline;\">www.danielmendonca.com.br<\/span><\/a>).<\/li>\n<li>Estabelecer quais produtos est\u00e3o apresentando probabilidades de queda de vendas, eleva\u00e7\u00e3o de custos e\/ou margens de lucro. Planejar, ent\u00e3o, quais seriam os seus produtos substitutos os quais a empresa tem condi\u00e7\u00f5es de lan\u00e7ar, ressaltando que, antes de a empresa dar este passo, precisa refletir sobre todas as a\u00e7\u00f5es que podem ser executadas para reverter o cen\u00e1rio negativo futuro, recuperando os desempenhos comerciais de determinados produtos em foco. E importante: toda a\u00e7\u00e3o precisa ser bem documentada quando executada e n\u00e3o pode camuflar o desempenho de outras a\u00e7\u00f5es, pois, ao contr\u00e1rio, a empresa ter\u00e1 dificuldades de futuramente interpretar a influ\u00eancia de fatores intr\u00ednsecos e extr\u00ednsecos as suas vendas hist\u00f3ricas.<\/li>\n<li>Partindo dos mesmos fatores extr\u00ednsecos e intr\u00ednsecos conhecidos e das estimativas de custos de produ\u00e7\u00e3o, a empresa dever\u00e1 projetar os resultados do novo produto, atentando-se para o fato que o seu desempenho poder\u00e1 n\u00e3o atingir somente aqueles produtos em queda, mas tamb\u00e9m outros produtos que estejam equilibrados em seu portf\u00f3lio. A subtra\u00e7\u00e3o entre a proje\u00e7\u00e3o de resultado deste novo produto e os impactos previstos em todos os demais produtos da empresa ser\u00e1 sua taxa de previs\u00e3o da canibaliza\u00e7\u00e3o. De imediato, essa taxa dar\u00e1 a empresa a vis\u00e3o de viabilidade ou n\u00e3o em prosseguir com a a\u00e7\u00e3o. E claro: essa taxa de previs\u00e3o ser\u00e1 vari\u00e1vel, de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o dos meses p\u00f3s-implanta\u00e7\u00e3o do novo produto (ou servi\u00e7o).<\/li>\n<li>Da\u00ed, chega-se ao lan\u00e7amento do produto e seus primeiros meses de vida. A medi\u00e7\u00e3o do seu desempenho ser\u00e1 comparada \u00e0 taxa de previs\u00e3o da canibaliza\u00e7\u00e3o. Suas discrep\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o ao previsto dever\u00e3o motivar discuss\u00f5es para se identificar tudo que esteja influenciando em tal diferen\u00e7a. Esta \u00faltima poder\u00e1 ter rela\u00e7\u00e3o com cen\u00e1rios n\u00e3o planejados, ou mesmo com poss\u00edvel erro metodol\u00f3gico na previs\u00e3o estat\u00edstica ou de entendimento quanto \u00e0 pr\u00f3pria capacidade do neg\u00f3cio. Mas o ponto mais ruim que pega os empres\u00e1rios de surpresa refere-se \u00e0s dificuldades de opera\u00e7\u00e3o em meio aos processos e procedimentos de trabalho. Motivo principal: a maioria das empresas ainda n\u00e3o sabe gerenciar sob vis\u00e3o de processos (sequenciais, interdependentes, simplificados, mensur\u00e1veis, etc.), mas sim sob vis\u00e3o funcional (pelas fun\u00e7\u00f5es de cada departamento).<\/li>\n<li>A medida que evolu\u00e7\u00e3o da taxa de canibaliza\u00e7\u00e3o vai sendo atualizada, a empresa vai tendo melhor no\u00e7\u00e3o quanto a real viabilidade do novo produto.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Da\u00ed, neste ponto, vale o quarto importante destaque neste artigo: toda vez que a empresa idealizar o lan\u00e7amento de um novo produto, precisar\u00e1 aplicar reflex\u00f5es que normalmente aprendemos em Gest\u00e3o de Riscos, mais especificamente sobre o que fazer, caso a a\u00e7\u00e3o d\u00ea errado e como voltarmos ao cen\u00e1rio anterior, se for melhor para o neg\u00f3cio. Simplesmente, \u00e9 o refletir sobre tudo que poder\u00e1 dar errado no lan\u00e7amento do novo produto, elaborando os planos de conting\u00eancia sobre cada efeito negativo, e, principalmente, constatando se cada plano de conting\u00eancia ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de ser executado pela empresa, caso venha a ser exigido. Cada efeito negativo precisar\u00e1 ser associado a um n\u00edvel de gravidade estabelecido pela empresa, para que esta \u00faltima enxergue de maneira mais clara que cen\u00e1rios s\u00e3o mais impactantes e quais os cen\u00e1rios menos impactantes, de tal forma poder priorizar melhor suas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o&#8230;vamos falar daquele cen\u00e1rio real que citei no in\u00edcio do artigo:<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, eu trabalhava para o mercado de telecomunica\u00e7\u00f5es, em uma das grandes operadoras do pa\u00eds, com excelente desempenho operacional-financeiro e excelente clima e din\u00e2mica de trabalho entre os departamentos. Uma excelente experi\u00eancia que tive. Pois bem:<\/p>\n<p>A equipe de Marketing havia idealizado um plano de servi\u00e7o a ser lan\u00e7ado numa Unidade Federativa espec\u00edfica e que, pelas suas configura\u00e7\u00f5es, geraria forte ades\u00e3o da clientela e manteria o equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro entre nossos Custos e Receitas. Para se ter uma ideia geral, o c\u00e1lculo e an\u00e1lise de viabilidade de um plano de servi\u00e7o parte do princ\u00edpio do equil\u00edbrio entre: o valor da mensalidade do plano, a tarifa por minuto ou por utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, o quanto ser\u00e1 ofertado de franquia de uso e a estimativa m\u00e9dia de uso dos clientes (dica: adicionalmente, explore o conceito de Customer supply; escreverei sobre o assunto posteriormente). Principalmente: a an\u00e1lise pondera tamb\u00e9m a migra\u00e7\u00e3o de clientes de outros planos para o novo plano, para projetarem o equil\u00edbrio financeiro adequado \u00e0 empresa. Na avalia\u00e7\u00e3o de todos, incluindo os mais diversos departamentos t\u00e9cnicos da empresa \u2013 incluindo o departamento no qual eu trabalhava \u2013, aparentemente parecia tudo em ordem com o novo plano. Sendo assim, o mesmo foi lan\u00e7ado no mercado.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas de comercializa\u00e7\u00e3o, tudo parecia de acordo com o planejado. Realmente muitos clientes aderiram ao novo plano, tanto clientes novos, quanto clientes antigos que migraram de outros planos para este novo plano de servi\u00e7o (olha a\u00ed a canibaliza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Primeiros sinais de problema: um profissional do nosso setor foi o primeiro a alertar que alguma coisa estava errada. Os primeiros ciclos de faturamento executados no primeiro m\u00eas deste plano come\u00e7aram a mostrar queda de Receita para esta Unidade Federativa. Havia d\u00favidas se a queda de Receita era em decorr\u00eancia da forte migra\u00e7\u00e3o de clientes de outros planos de servi\u00e7o para o novo plano, j\u00e1 que a empresa ainda n\u00e3o havia fechado um m\u00eas completo de opera\u00e7\u00e3o com esse novo plano, e, principalmente, porque o m\u00eas em quest\u00e3o, escolhido para lan\u00e7amento do produto, n\u00e3o era o m\u00eas mais adequado, por sofrer forte influ\u00eancia de sazonalidade.<\/p>\n<p>Quinto destaque importante deste artigo: independentemente de ser ou n\u00e3o um plano de canibaliza\u00e7\u00e3o, estamos tratando do planejamento quanto ao lan\u00e7amento de um novo produto ou servi\u00e7o. Devemos escolher muito bem o momento para realizar tal lan\u00e7amento, sob o risco de n\u00e3o conseguirmos interpretar corretamente o desempenho inicial do que estivermos ofertando como novidade ao mercado.<\/p>\n<p>Continuando&#8230;<\/p>\n<p>Aquele profissional, Analista de Receita de Faturamento, colocou o seu material sob os bra\u00e7os e correu entre os v\u00e1rios departamentos, alarmando sobre o problema. Eu lembro muito bem disso. Poucos deram ouvidos a ele, imaginando que o primeiro m\u00eas do novo plano era ruim para se ter correta ideia do seu desempenho. Por fim, ficou por isso mesmo&#8230;e da\u00ed que chegamos ao segundo m\u00eas em opera\u00e7\u00e3o do novo plano, com incr\u00edvel queda de mais de 20% da Receita de Faturamento da Unidade Federativa envolvida e cerca de 15 mil clientes cadastrados no novo plano. Alguma coisa definitivamente precisava ser feita.<\/p>\n<p>A principal barreira: A empresa n\u00e3o poderia simplesmente migrar esses clientes para outros planos \u2013 por exemplo, para os seus antigos planos de servi\u00e7o \u2013 sem que houvesse consentimento por parte deles, principalmente por uma quest\u00e3o legal (de legisla\u00e7\u00e3o). Imagine a dificuldade em negociar com um cliente que sabe estar usufruindo de um plano altamente ben\u00e9fico a ele.<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es, em etapas:<\/p>\n<ul>\n<li>A primeira a\u00e7\u00e3o realizada foi a de impedir novos clientes neste plano; isto a empresa poderia fazer. Imediatamente, ent\u00e3o, interagiu com a ag\u00eancia reguladora \u2013 no caso, a ANATEL \u2013, munida de todas as an\u00e1lises que demonstravam a inviabilidade de a empresa permanecer com este plano em comercializa\u00e7\u00e3o, com risco de em m\u00e9dio e longo prazo impactar a qualidade dos servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o daquela Unidade Federativa. Com o aval imediato da ANATEL, a empresa procedeu com a suspens\u00e3o do com\u00e9rcio do plano em pauta, mas, por enquanto, sendo obrigada a manter aqueles 15 mil clientes j\u00e1 associados, salvo se a empresa conseguisse autoriza\u00e7\u00e3o desses \u00faltimos para realiza\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a.<\/li>\n<li>Uma brecha obtida em meio \u00e0s revis\u00f5es que estavam sendo conduzidas: pelo fato de este plano propiciar muita economia aos clientes \u2013 sendo caracterizado como um \u201cplano subsidiado pela empresa em prol do cliente\u201d \u2013, a empresa poderia desconsider\u00e1-lo de todas as campanhas promocionais (por exemplo, das campanhas do Dia das M\u00e3es, Dia dos Namorados, Natal, etc.) e das vendas subsidiadas de aparelhos celulares. N\u00e3o havia em contrato qualquer cl\u00e1usula que obrigasse a empresa a garantir participa\u00e7\u00e3o dos clientes em campanhas e subs\u00eddios de aparelhos, e, portanto, a aus\u00eancia dessa cl\u00e1usula, somada \u00e0 peculiaridade do plano, propiciou a empresa a fechar este acordo com a ag\u00eancia reguladora. Este cen\u00e1rio seria, ent\u00e3o, uma boa ferramenta de negocia\u00e7\u00e3o para migra\u00e7\u00e3o dos clientes para os demais planos da empresa.<\/li>\n<li>O passo seguinte foi o de contatar todos os 15 mil clientes, explicando a eles de maneira clara e honesta o erro cometido pela empresa ao ofertar este novo plano de servi\u00e7o. Ao mesmo tempo que iam se conscientizando do problema, a empresa ia procedendo com negocia\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. No caso, esses clientes foram divididos em grupos espec\u00edficos, para sofrerem tratativas diferenciadas. Por exemplo: havia cerca de 30% desses clientes utilizando aparelhos celulares de valor baixo de mercado (chamados de \u201cgama baixa\u201d); para esses clientes, a empresa ofereceu aparelhos de valores maiores e com outras fun\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas mais atuais, ao mesmo tempo que informava quanto \u00e0 possibilidade de eles poderem participar de campanhas promocionais futuras, caso aceitassem a altera\u00e7\u00e3o. Este foi um cen\u00e1rio espec\u00edfico tratado. Aproximadamente 20% dos clientes ainda permaneceu no plano, por dois ou tr\u00eas motivos espec\u00edficos e pessoais. E, quanto a esses clientes remanescentes, a empresa precisou aguardar pr\u00f3pria decis\u00e3o deles, ao longo dos meses seguintes. Num intervalo de treze meses, salvo engano, j\u00e1 n\u00e3o havia mais cliente algum associado ao plano em quest\u00e3o (era o esperado, frente \u00e0 aus\u00eancia de benef\u00edcios a ele ofertados).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Devido a essa falha de planejamento, levamos cinco meses para recuperarmos o patamar de Receita normal daquela Unidade Federativa. A li\u00e7\u00e3o foi muito boa, por\u00e9m muito dispendiosa. Mas, ao final, elevamos nossas compet\u00eancias em diversas frentes de trabalho. Nos tornamos bem mais preparados e criamos novos conceitos comerciais. A canibaliza\u00e7\u00e3o entre produtos e servi\u00e7os tende a propiciar este tipo de aprendizagem, mas, dependendo da estrutura do neg\u00f3cio, pode ser a causa da extin\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo. O fato \u00e9 que n\u00e3o devemos ter medo deste tipo de estrat\u00e9gia, mas aprendermos a domin\u00e1-la&#8230; Ah, sim&#8230; E quanto aquele profissional, Analista de Receita de Faturamento: aquela foi apenas uma de diversas outras iniciativas tidas por ele ao longo de sua carreira na empresa, sendo muito bem valorizado por este tipo de conduta e pela sua compet\u00eancia particular\u00a0em analisar n\u00fameros e desempenhos do neg\u00f3cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine a seguinte situa\u00e7\u00e3o: voc\u00ea j\u00e1 possui um bom produto e resolve lan\u00e7ar um novo produto, bem atrativo ao mercado. Rapidamente, o mercado responde de forma bem positiva, com elevado consumo. Da\u00ed, ent\u00e3o, voc\u00ea percebe que este segundo produto come\u00e7a a canibalizar o primeiro e seus processos operacionais come\u00e7am a se ocupar muito mais com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":326,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,6],"tags":[283,280,74,281,284,278,279,242,282],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/325"}],"collection":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":327,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/325\/revisions\/327"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}