{"id":332,"date":"2015-07-03T12:51:56","date_gmt":"2015-07-03T15:51:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.danielmendonca.com.br\/?p=332"},"modified":"2015-07-03T12:51:56","modified_gmt":"2015-07-03T15:51:56","slug":"capacidade-de-discernimento-frente-aos-fatos-do-cotidiano-na-vida-social-na-vida-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/?p=332","title":{"rendered":"Capacidade de Discernimento Frente aos Fatos do Cotidiano, na Vida Social, na Vida Profissional"},"content":{"rendered":"<p>Para uma popula\u00e7\u00e3o que estuda pouco, que muitas vezes estuda errado, que se adianta em tomar partido sem propriedade de causa, etc., n\u00f3s, inseridos neste cen\u00e1rio, temos que ter um pouco mais o p\u00e9 no ch\u00e3o para analisarmos, opinarmos e decidirmos sobre qualquer assunto de natureza social, econ\u00f4mica, financeira, pol\u00edtica, EMPRESARIAL, etc., etc., etc., enfim, sobre qualquer assunto de real valor para o indiv\u00edduo e para a sociedade. Dito isso, comento em especial sobre o quanto s\u00e3o f\u00e1ceis a manipula\u00e7\u00e3o e o direcionamento condicionado para discuss\u00f5es que n\u00e3o temos propriedade alguma para criticar e votar, mas que sequer percebemos isso: neste momento \u2013 julho de 2015 \u2013 estamos em meio a forte discuss\u00e3o sobre maioridade penal e o que mais tem surgido s\u00e3o especialistas, de ambos os lados, aqueles favor\u00e1veis e aqueles desfavor\u00e1veis \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos algumas perguntas, para nos certificarmos que sabemos do que estamos falando:<\/p>\n<ul>\n<li>Quais os graus diferenciados de discernimento existentes entre faixas et\u00e1rias que v\u00e3o de 14 a 35 anos de idade, ao falarmos em risco e oportunidade, em certo e errado, dentre outras dicotomias, as quais, direta ou indiretamente, possuem rela\u00e7\u00e3o com a maneira como estabelecemos as puni\u00e7\u00f5es para os diferentes tipos de crime?<\/li>\n<li>Outra pergunta: Por que 18 anos, ou por que 16 anos? Por que n\u00e3o 20 anos?<\/li>\n<li>E mais uma pergunta: Qual a diferen\u00e7a de discernimento, por exemplo, entre algu\u00e9m com 17 anos e 11 meses de idade, em compara\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m com 18 anos e 1 m\u00eas?<\/li>\n<li>Outra: Sabemos julgar \u2013 e dever\u00edamos ou n\u00e3o diferenciar \u2013 o julgamento entre crimes por necessidade, dos crimes por desvio mental? Em caso afirmativo, quais seriam as regras? Somos capazes realmente de estabelece-las?<\/li>\n<li>E s\u00f3 para fechar: temos acesso \u00e0s pesquisas que nos respondam questionamentos assim? H\u00e1 uma estat\u00edstica confi\u00e1vel sobre o assunto e que j\u00e1 tenha sido compartilhada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, para facilitar as opini\u00f5es? Ah, \u00e9 mesmo, nosso pa\u00eds ainda n\u00e3o tem um sistema t\u00e3o efetivo assim de envolvimento da popula\u00e7\u00e3o nas discuss\u00f5es de interesse geral. Perceba: a conversa entre povo e governo ou \u00e9 unilateral, ou uma t\u00edpica conversa de b\u00eabado e delegado: ficamos de um lado opinando entre n\u00f3s (acho que estamos no papel do b\u00eabado), enquanto que os representantes do governo ficam do outro lado, efetivamente votando (acho que no papel do delegado, certo?).<\/li>\n<\/ul>\n<p>D\u00e1 para perceber o quanto nos aventuramos e nos enganamos f\u00e1cil em qualquer tipo de discuss\u00e3o, principalmente em discuss\u00f5es pol\u00eamicas. Isto acontece com outros assuntos batidos pela m\u00eddia, como, por exemplo, os royalties do pr\u00e9-sal destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade (poucos sabem, mas esses royalties equivalem a pouco mais de 5% do que o pa\u00eds j\u00e1 vem gastando com a educa\u00e7\u00e3o, ou seja, certamente n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para o problema da educa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds). Outro assunto: a medida de lei que melhor regulamenta a terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra. Falaremos deste assunto mais adiante.<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, aproveitando para fazer um gancho com o Mundo dos Neg\u00f3cios: Este cen\u00e1rio de enganos e precipita\u00e7\u00f5es \u00e9 a mesma coisa ocorre dentro das empresas. Volta-e-meia, h\u00e1 gestores de um setor opinando e intervindo em outros setores; h\u00e1 executivos ignorando estudos aprofundados de consultores especialistas; h\u00e1 profissionais vendendo informa\u00e7\u00f5es pessimistas pelos corredores, como verdadeiros \u201cCavaleiros do Apocalipse\u201d, quando, na verdade, n\u00e3o possuem informa\u00e7\u00f5es o suficiente para terem correta compreens\u00e3o das coisas&#8230;E assim vai&#8230;<\/p>\n<p>Voltando a \u00e2mbito da nossa popula\u00e7\u00e3o, uma pesquisa realizada no primeiro semestre de 2015 relatou que a m\u00e9dia de leitura do cidad\u00e3o brasileiro \u00e9 de 1,5 livro por ano. Sinceramente, acredito que este \u00edndice esteja errado e provavelmente seja bem mais baixo&#8230;mas&#8230;tudo bem. Que o mesmo esteja correto, mesmo. Ainda assim, este \u00edndice, ent\u00e3o, \u00e9 equivalente ao que eu leio a cada vinte dias; e falo mais, lendo aproximadamente cinco livros a cada tr\u00eas meses, me sinto frustrado por no momento n\u00e3o conseguir ter um desempenho melhor em meus estudos. E veja, mesmo o meu desempenho sendo 18 vezes maior do que a m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, ainda assim n\u00e3o me sinto apto a tomar partido em assuntos como o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal e como em milhares de outros assuntos que est\u00e3o no ar por a\u00ed. Ent\u00e3o, o que dir\u00e1 de algu\u00e9m que mal l\u00ea um livro por ano e passa boa parte do tempo livre assistindo televis\u00e3o \u2013 leia-se: novela \u2013, malhando em academia, tomando cerveja e trocando mensagens em redes sociais. \u00c9 de se pensar, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>\u201cAbrindo um par\u00eantese\u201d em meio a essa minha narrativa, deixe eu abordar uma t\u00e1tica que julgo muito maliciosa, costumeiramente utilizadas em meio \u00e0s discuss\u00f5es calorosas e que tende a ludibriar os desavisados (mal preparados): a t\u00e1tica de argumentar baseando-se em validades. Vejamos um exemplo de uso dessa t\u00e1tica: no \u00e2mbito da terceiriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, h\u00e1 dados estat\u00edsticos que mostram que o trabalhador terceirizado trabalha mais (em horas) do que o trabalhador pr\u00f3prio. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem, sabe por qu\u00ea? Porque este dado, na verdade, n\u00e3o nos diz nada, at\u00e9 que seja conciliado com diversos outros dados complementares de mercado. N\u00e3o dever\u00edamos concluir nada ainda, pois o dado \u00e9 pobre. Mas eis que surgem as milh\u00f5es de pessoas que nada entendem de estat\u00edstica \u2013 nada mesmo \u2013, dizendo que o trabalhador terceirizado \u00e9 explorado. E para voc\u00ea ver: muitos ler\u00e3o este par\u00e1grafo e se perguntar\u00e3o: \u201cu\u00e9, mas n\u00e3o \u00e9 isso que o dado est\u00e1 dizendo\u201d? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isso. Pensem&#8230;pensem&#8230;pesquisem&#8230;pesquisem&#8230;<\/p>\n<p>Agora, vamos ainda mais a fundo: falaremos de PARTICIPA\u00c7\u00c3O SOCIAL, para voc\u00ea que ainda acha que realmente est\u00e1 inserido na te\u00f3rica democracia que aprendemos nos livros da escola:<\/p>\n<p>Vamos, de cara, falar de democracia em na\u00e7\u00f5es socialmente dividas (nosso pa\u00eds ainda n\u00e3o chegou l\u00e1, mas parece se esfor\u00e7ar de pouquinho a pouquinho para conseguir isso). O fato \u00e9 que a exist\u00eancia de democracias est\u00e1veis em na\u00e7\u00f5es socialmente divididas, por si s\u00f3, contraria o pressuposto pluralista, segundo o qual a estabilidade de regimes democr\u00e1ticos depende: de uma base cultural homog\u00eanea para assegurar tanto a manuten\u00e7\u00e3o das lealdades prim\u00e1rias dos cidad\u00e3os para com o Estado (e n\u00e3o a um grupo social qualquer), como um padr\u00e3o associativo baseado em multifilia\u00e7\u00f5es individuais, e; de uma estrutura aut\u00f4noma de pap\u00e9is sociais para promover a dispers\u00e3o das identidades coletivas e refor\u00e7ar comportamentos pol\u00edticos moderados. Voc\u00ea n\u00e3o entendeu nada do que falei, certo? Vejamos ent\u00e3o:<\/p>\n<p>No Brasil, somos ou n\u00e3o somos uma sociedade que carece de identidade \u00fanica? Melhor perguntando: Temos foco coletivo para os mesmos interesses? Na verdade, as pessoas est\u00e3o, em sua maioria, preocupadas com os interesses individuais, e terminam esquecendo a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o coletiva para o bem de todos. Voc\u00ea talvez ache que n\u00e3o, mas vamos fazer uma compara\u00e7\u00e3o simples: compare nossa popula\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o japonesa? De zero a dez, qual o n\u00edvel de foco, comprometimento e respeito ao pr\u00f3ximo encontra-se a popula\u00e7\u00e3o japonesa, e qual seria o n\u00edvel sob o qual se localiza a popula\u00e7\u00e3o brasileira? Soma-se a isso o fato de os instrumentos de participa\u00e7\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da sociedade (Conselhos, f\u00f3runs, etc.) s\u00e3o indiretamente utilizados como meios de legitima\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e medidas de alguns governantes, n\u00e3o para uma participa\u00e7\u00e3o realmente ativa da popula\u00e7\u00e3o. Neste sentido, participa\u00e7\u00e3o popular na esfera p\u00fablica pode ser considerada uma ilus\u00e3o ou mito, em que a sociedade \u00e9 de certa forma manipulada ou exerce uma pseudo-participa\u00e7\u00e3o na esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo: claro que a participa\u00e7\u00e3o popular \u00e9 \u2013 ou deveria ser \u2013 muito importante, por\u00e9m algumas decis\u00f5es de governo s\u00e3o estrat\u00e9gicas e essenciais, e, muito embora sejam tomadas para o bem comum, muitas vezes n\u00e3o agradam a coletividade como um todo. A pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional e a pol\u00edtica econ\u00f4mica s\u00e3o exemplos disso. Suas medidas precisam ser implementadas de forma t\u00e9cnica, sem grandes aberturas populares para debates e delibera\u00e7\u00f5es. Assim, \u00e9 importante esclarecer que participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa transformar os governos em grandes arenas de debates constantes para a ado\u00e7\u00e3o de cada medida de governo, pois, afinal, os governantes s\u00e3o os representantes da sociedade.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, voc\u00ea questiona: eu voto, e, por isso, tendo a inserir no meio governamental os meus representantes, aqueles que conhecem e defendem minha comunidade. Ok. Ent\u00e3o, vejamos um outro ponto:<\/p>\n<p>Para que haja equil\u00edbrio social, e, consequentemente, distribui\u00e7\u00e3o correta do poder, o essencial \u00e9 que os membros da elite governante sejam aqueles que, al\u00e9m de serem membros natos da elite &#8211; qualidades superiores -, possuam caracter\u00edsticas de personalidade adequadas para exercer o poder. No entanto, existem dois problemas b\u00e1sicos relativos ao equil\u00edbrio social: primeiramente, considerar que a elite governante acaba sendo formada tamb\u00e9m por indiv\u00edduos agregados aos membros natos e acabam por representar uma amea\u00e7a \u00e0 estabilidade da ordem, \u00e0 medida que assumem os postos de comando sem disporem das qualidades requeridas para exerc\u00ea-los (voc\u00ea lembra de algu\u00e9m assim, no governo?). Em segundo, deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o a necessidade da circula\u00e7\u00e3o de classes, ou seja, de os indiv\u00edduos da elite governante, com o tempo, serem substitu\u00eddos por indiv\u00edduos ou classes rec\u00e9m-sa\u00eddos(as) da elite n\u00e3o governante e\/ou da n\u00e3o-elite e que lhe renovam as qualidades necess\u00e1rias ao cont\u00ednuo exerc\u00edcio da domina\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, sem dar esse cont\u00ednuo exerc\u00edcio da domina\u00e7\u00e3o \u2013 preste aten\u00e7\u00e3o nisso \u2013, tais indiv\u00edduos acabam se acumulando nas classes inferiores e podem acabar liderando movimentos revolucion\u00e1rios contra a elite governante. Captou um pouco o esp\u00edrito da coisa? Voc\u00ea acha que o teu representante ir\u00e1 defender os teus interesses, mas&#8230;sejamos sinceros&#8230;mal o s\u00edndico do teu condom\u00ednio faz isto por voc\u00ea. O que o teu representante pol\u00edtico far\u00e1 \u00e9 n\u00e3o apenas tentar defender aquilo que ele acha que seja o certo, mas, principalmente, ir\u00e1 se adaptar \u00e0 sistem\u00e1tica de relacionamento que j\u00e1 existe na esfera governamental, ou seja, \u201cdan\u00e7ar conforme a m\u00fasica\u201d. N\u00e3o se iluda.<\/p>\n<p>Falamos desses assuntos para refor\u00e7ar o escopo principal deste artigo, qual seja: que n\u00e3o somos t\u00e3o preparados assim para nos postarmos como os \u201cdonos da raz\u00e3o\u201d e ridicularizarmos os opositores das nossas opini\u00f5es. Nosso condicionamento \u00e9 t\u00e3o forte, que mesmo que algu\u00e9m prove pra gente que precisamos mudar nosso ponto de vista, ainda assim nossa mente induz a nos mantermos em nossa \u201czona do conhecido\u201d, em vez de migrarmos para a \u201czona do novo, do diferente\u201d. Fa\u00e7amos um teste:<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea esteja participando de um concurso na televis\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1 no palco, de frente para tr\u00eas portas. Numa delas encontra-se um grande pr\u00eamio. Voc\u00ea precisa escolher uma das portas&#8230;e voc\u00ea escolhe, mas ainda n\u00e3o pode abri-la. O apresentador do concurso se direciona a uma das outras duas portas restantes e abre uma delas, na qual, \u00e9 claro, n\u00e3o h\u00e1 nada. Inicialmente, pensando em tr\u00eas portas e um \u00fanico pr\u00eamio, voc\u00ea concorda que as suas chances s\u00e3o de 1\/3 (um ter\u00e7o). Ap\u00f3s o apresentador ter eliminado uma das portas, restando apenas duas \u2013 a que voc\u00ea escolheu e a outra porta, ambas ainda fechadas \u2013, voc\u00ea deduz que suas chances s\u00e3o, agora, de&#8230;1\/2 (meio)&#8230;seria isto que voc\u00ea responderia, correto? N\u00e3o. Errado. Suas chances permanecem em 1\/3 (um ter\u00e7o). Mas como? Irei explicar logo abaixo, mas \u00e9 poss\u00edvel que mesmo depois da explica\u00e7\u00e3o, voc\u00ea continue n\u00e3o concordando. E sabe por qu\u00ea? Por causa do condicionamento. Vamos \u00e0 explica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Este pequeno problema \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que parece, e tornou-se famoso nos EUA como o problema de Monty Hall, devido ao apresentador que possu\u00eda um quadro bem similar em seu programa popular &#8216;Let&#8217;s Make a Deal&#8217; [&#8216;Vamos fazer um trato&#8217;] nos anos 70, algo como os diversos programas de audit\u00f3rio que ficaram famosos no Brasil com o apresentador Silvio Santos.<\/p>\n<p>A resposta intuitiva \u2013 por\u00e9m errada \u2013 ao problema \u00e9 a de que quando o apresentador revelou uma porta n\u00e3o-premiada, o concorrente teria \u00e0 frente um novo dilema com apenas duas portas e um pr\u00eamio, portanto as chances de que o pr\u00eamio esteja em qualquer uma das duas portas seriam de 50%. O apresentador teria nos ajudado, j\u00e1 que nossas chances subiram de 1\/3 para 1\/2, uma vez que ambas teriam as mesmas chances de possu\u00edrem o pr\u00eamio. Mas, realmente, a atitude de retirar uma das portas n\u00e3o faz diferen\u00e7a, j\u00e1 que a porta que o apresentador abre depende da porta que o concorrente escolher inicialmente. O apresentador sabe desde o come\u00e7o onde est\u00e1 o pr\u00eamio (ele nunca abrir\u00e1 uma porta premiada). Ao abrir uma porta, ele n\u00e3o est\u00e1 criando um jogo todo novo, mas est\u00e1 dando informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre o jogo original. \u00c9 por isso que a resposta \u00e9 t\u00e3o contra intuitiva: parece-nos que o apresentador abriu uma porta aleatoriamente, mas isso est\u00e1 muito longe da verdade.<\/p>\n<p>Voltando ao nosso dia-a-dia normal:<\/p>\n<p>Certa vez fiz o seguinte exerc\u00edcio com um empres\u00e1rio: ele estava frustrado com o desempenho da sua equipe t\u00e9cnica. Pedi para ele me falar de cada um dos profissionais, tanto os bons, quanto os ruins. Ao final, identifiquei quatro integrantes que n\u00e3o tinham a menor condi\u00e7\u00e3o de permanecer na equipe devido \u00e0s suas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Por\u00e9m, o empres\u00e1rio julgava ser necess\u00e1rio mant\u00ea-los, j\u00e1 que estavam sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para realizarem as tarefas. Mesmo que falhassem v\u00e1rias vezes, ainda assim a empresa poderia sempre contar com eles. Estranho este cen\u00e1rio? Que nada. Isto \u00e9 mais comum do que imaginamos.<\/p>\n<p>Bom, mas, voltando, direcionei este empres\u00e1rio para uma reflex\u00e3o espec\u00edfica: pedi a ele que imaginasse naquele momento uma pessoa batendo a sua porta, dizendo estar desempregado e desejoso por trabalhar em sua empresa, e o melhor, demonstrando todas as qualifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que a empresa tanto precisa. Perguntei, ent\u00e3o, a ele se desligaria um dos quatro profissionais ruins, substituindo-o por este candidato. A resposta foi sim. Da\u00ed o di\u00e1logo prosseguiu da seguinte maneira:<\/p>\n<p>Eu: O que te impede de desligar um dos quatro profissionais, ent\u00e3o, \u00e9 o fato de neste exato momento n\u00e3o ter ningu\u00e9m batendo a tua porta. E, entendido isso, fa\u00e7o uma pergunta: \u00e9 poss\u00edvel encontrarmos um bom profissional no mercado, se formos atr\u00e1s recrutar?<\/p>\n<p>Empres\u00e1rio: \u201c\u00c9 poss\u00edvel, sim\u201d.<\/p>\n<p>Eu: Ent\u00e3o, eu pergunto: por que motivo voc\u00ea ainda n\u00e3o foi atr\u00e1s e continua a tolerar o desempenho ruim de alguns dos seus profissionais t\u00e9cnicos?<\/p>\n<p>&#8230;Ele n\u00e3o soube responder de imediato, porque nessa hora geralmente as pessoas ficam sem ter uma resposta l\u00f3gica. Elas percebem a falta de sentido em manter certas situa\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o pense que voc\u00ea n\u00e3o cairia no mesmo erro, pois isto n\u00e3o tem a ver com intelig\u00eancia, mas condicionamento. O que vinha ocorrendo com este empres\u00e1rio era: a atitude sempre positiva, motivada e colaborativa de um ou mais profissionais ruins acabava por confundir sua mente, driblando sua capacidade de analisar a situa\u00e7\u00e3o sobre a balan\u00e7a do Custo versus Benef\u00edcio.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma boa frase de Ren\u00e9 Descartes: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada no mundo que esteja melhor repartido do que a raz\u00e3o: toda a gente est\u00e1 convencida de que a tem de sobra\u201d. Reflita sobre esta frase por alguns minutos&#8230;<\/p>\n<p>Minha sugest\u00e3o \u00e9 para nos libertarmos deste desejo de estarmos sempre certos, principalmente, de resistir ao que incomoda s\u00f3 porque incomoda. Ao exercitarmos este tipo de desprendimento, nossos relacionamentos e tomada de decis\u00e3o nos \u00e2mbitos social e empresarial tendem ao sucesso. \u00c9 importante reconhecer que o conflito existente nos relacionamentos se deve principalmente ao fato de os seus conceitos adquiridos divergirem dos conceitos adquiridos pelos outros, tendo o Ego como o maior bloqueador para entender o posicionamento do pr\u00f3ximo; \u00e9 por este motivo que dou muita import\u00e2ncia ao autoconhecimento. Reflita sobre isso; se for preciso, invista na reprograma\u00e7\u00e3o mental&#8230;e pratique mais a leitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para uma popula\u00e7\u00e3o que estuda pouco, que muitas vezes estuda errado, que se adianta em tomar partido sem propriedade de causa, etc., n\u00f3s, inseridos neste cen\u00e1rio, temos que ter um pouco mais o p\u00e9 no ch\u00e3o para analisarmos, opinarmos e decidirmos sobre qualquer assunto de natureza social, econ\u00f4mica, financeira, pol\u00edtica, EMPRESARIAL, etc., etc., etc., enfim, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":333,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[8],"tags":[299,296,293,298,249,297,295,301,303,43,304,300,302,98],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/332"}],"collection":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=332"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":334,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/332\/revisions\/334"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/333"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/danielmendonca.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}